segunda-feira, fevereiro 26

"passará"

quando amanhece assim, cresce em mim a vontade de atravessar Lisboa a correr, rebentar com os pulmões de cansaço para não chorar mais. quando amanhece assim, na companhia desabitada, no beijo ausente, sou refém dos meus erros, culpada do que não consigo ser.

quando amanheço assim, desejo só que o dia passe num susto.

quarta-feira, fevereiro 14


Sinto o frio do chão fecundo entre os dedos dos pés, e ali permaneço os dias sem as horas. É uma espécie de apaziguamento entre o meu corpo e a madeira pintada de preto, uma união entre o que de mais intimamente me compõe e o que mais publicamente me revela. São os exactos três minutos antes da maré encher em que vivo. E é aí que me construo e me sobrevivo.


O seu nome? Palco.


Foto: Ricardo Jorge, aqui ou aqui.

quarta-feira, fevereiro 7

Fátima Campos Ferreira - esse fenómeno televisivo -

Em épocas de controvérisa, todos querem pôr o dedo na ferida. Nada mais adequado que um vale-tudo em directo da arena, pelos sofás adentro, qual suor pingando até à segunda fila.
O senhor da mão no ar, o que assinala bem centrado no ringue o fim de cada round, representado por esse ícone jornalístico, Fátinha.
Neutra como sempre (a tendência que demonstra é só para o profissionalismo e para o bem-vestir ), num estilo a que todos já nos habituámos, habita-nos as noites de 2ª feira tão intensamente que se não fosse pelas altas horas, até ia lá ao Teatro Armando Cortez dar-lhe um beijinho repenicadinho - já que fica tão pertinho da minha casinha. Um verdadeiro docinho, essa senhora. Coisa ma' rica e ma' boa.
São os novos tempos. É assim mesmo.

(Entretanto, alguém quer fazer comigo um abaixo-assinado para essa senhora ir parar ao desemprego? Foi só uma sugestão, pronto. )