domingo, janeiro 27

Um imenso Adeus

Montanhas cobertas de verde, vacas a preto e branco e o mar de todos os lados, os teus Açores.
A ópera e a música clássica sempre, os livros que te acompanhavam o dia todo se fosse preciso.
Os nossos almoços ali para os lados da Avenida de Berna, ainda te lembras?
O dia do nosso aniversário.
Os óculos redondinhos que usavas que te davam o ar patusco dos irmãos Dupond e Dupont, no charme composto pelo fato e gravata às vezes até ao fim-de-semana.
A tua luta contra uma doença que acabou por te vencer.
Gostava que tivesses visto a vista para a Sé da minha nova casa.
Vou ter saudades tuas.
A ti, um imenso Adeus, de quem ainda estava a aprender-te. Até sempre. E um cravo vermelho.
Diz à avó que lhe mando um beijo.


Ao meu tio Manuel João.


Ao meu pai que perdeu o irmão mais velho.



terça-feira, janeiro 8

escrever o amor


a ti, queria escrever o mundo. queria saber a vida.
páginas sem fim de todas as cores, de poesia, de rimas para sempre, de música de embalar.
a ti, queria dar tudo o que tenho, o que não tenho também. profundamente, queria mesmo era saber escrever-te o amor, aquele que só consigo sentir, que não consigo expressar. era mesmo só para dizer que... como na música.
para a praia, para o frio. para as palmas no fim do espectáculo, para o abraço num dia menos bom. de sorriso largo, grande, só para ti. de peito inchado de orgulho, de revolta na injustiça. para o dia. para a noite. para tudo. somos-nos para tudo. para as nove da manhã e para as cinco da tarde.
Juntos. Estamos nisto juntos.



(... agora dou-te a mão e sussurro-te baixinho ao ouvido "vai correr tudo bem" )