quarta-feira, março 19

19 de março de 2006



certa noite em Lisboa, testemunhava a chuva miudinha o riso nervoso de dois pares de mãos atabalhoadas a subir ruas e a desvendar segredos. frio na barriga e um beijo com fado. o primeiro. poemas e canções num certo bar de alfama. seis da manhã, a aurora, sete da manhã.

foi há dois bonitos anos, meu pequeno.

sexta-feira, março 14

para sobreviver.




toque violento. agarras-me à bruta com dedos de pedra fria e feres-me os pés como agulhas cravadas na sola, no chão preto e profundo. único chão onde consigo ser-me sem medos. fechar os olhos e ser a outra. a outra em mim, a outra de mim, eu.
louca, louca, louca, deixas-me louca, fazes de mim o que queres. sou qualquer coisa entre a rua e a grandeza das tuas paredes, as cadeiras de veludo encarnado e as luzes quentes em cima do rosto. só aí eu sou. so aí eu sei.

agarra-me outra vez.